A vida é um Miojo…
A comida é fast, a paixão é efêmera e o macarrão é instantâneo.
Como quase tudo que ruma ao expresso em nosso cotidiano, a internet não poderia seguir o caminho inverso e as redes sociais são hoje a ferramenta não do agora, mas do “há 50 min atrás”. Outro dia, uma senhora madura, pela qual eu tenho muito apreço (minha amada avó) ficou indignada porque meu pai estava a postar fotos de família. Oras, que falta de privacidade era esta que milhões de pessoas poderiam folhear o seu precioso álbum de família?!
Um absurdo, mesmo para ela que está super a frente de sua geração. E por falar em geração, como o meu relato descreve, as gerações anteriores a minha (Y, como somos rotulados) já não se inibem e também aproveitam as vantagens de poder reencontrar velhos e distantes amigos através do cyber mundo.
Mas o que para a minha avó é falta de privacidade, para a satisfação geral dos usuários é manter amigos e contatos profissionais atualizados sobre as suas atividades diárias e gostos pessoais.
“Tô indo na padaria, alguém quer fazer encomenda?”
“Tem show do Sublime essa semana, alguém vai?”
” Fulano de tal mudou seu status para ‘solteiro’.”
Tudo agora acontece em real time, e se você não acompanha e não está conectado o tempo todo, vai perder (ou no mínimo gastar o dedo na barra de rolagem para buscar o que passou).
Do ponto de vista global, as pessoas chegam a ter a impressão de que no mundo ocorrem mais atentados, mais catástrofes e mais acidentes aéreos… É o fim do mundo que se aproxima? Tem a ver com 2012? Não. Isto é real time, baby! Esse tipo de coisa continua a acontecer com frequência relativamente semelhante, só que agora a gente fica sabendo em frações de segundo! As coisas saltam aos nossos olhos pela telinha do monitor/mobile onde quer que estejamos, e não mais duas semanas depois que aconteceu…
Acredito que dentro das grandes capacidades que podem ser bem exploradas nas redes, como vínculos profissionais, difusão cultural, e encurtar distâncias, ainda há muito que se descobrir, e filtrar, cabendo as mentes inquietas e insaciáveis pela busca do “pra ontem” descobrirem.
Texto de Bárbara Kern.